Desde a
passagem do ciclone Idai, em Março de 2019, que destruiu milhares de salas de
aulas em 13 distritos da província de Sofala, apesar dos esforços do
governo e parceiros, na reabilitação e construção de escolas, os desafios estão
longe de serem ultrapassados no sector da educação.
No presente
ano, há um défice de 692 salas de aulas, segundo referiu ao “O País”,
Luís Meno, director provincial de Educação em Sofala.
“Este
défice de salas de aula contribui para a existência de acima de 41 mil alunos
dos mais de 773 mil matriculados este ano, a estudarem ao ar livre, ou em
salas não convencionais, vulneráveis a sol, chuvas e ventos. É um desafio que
temos estado a tentar superar anualmente desde a passagem do ciclone Idai, mas
as dificuldades financeiras estão a condicionar a construção de
infra-estruturas escolares a velocidade e em quantidades desejadas para que
todos os nossos alunos estudem em salas condignas”, lamentou Meno.
Luís
Meno apontou ainda a referida situação como desafio do seu sector.
“Ciente disso agendamos a nossa II Reunião de Planificação Provincial, cujo
pano de fundo é encontrar as melhores estratégias com vista a encontrar
soluções locais e com apoio de parceiros para ultrapassar ou minimizar o
problema”.
Meno
lembrou que têm estado a ser construídas e reabilitadas nos últimos sete anos
escolas, mas “o aumento anual de novos alunos contribuem para o actual défice
de salas de aula, daí surge a necessidade de debatermos esta questão para aprimorar
as nossas estratégias”, considerou.
Refira-se
que até o fim do presente ano, Sofala terá mais sete novas escolas, totalizando
assim 1033. “Infelizmente as salas não irão cobrir o défice. Continuaremos a
ter alunos a estudarem ao ar livre no próximo ano, apesar de ser em número
reduzido em relação a este ano lectivo. As novas salas de aula irão apenas
minimizar este desafio”, explicou Meno.
O sector da
Educação em Sofala enfrenta, por outro lado, um outro desafio, que é o défice
de carteiras. “Precisamos de mais de 34 mil carteiras para todos os alunos
poderem estudar de forma condigna”, manifestou a necessidade.
Na II
Reunião de Planificação Provincial, orientada pelo governador de
Sofala, Lourenço Bulha, deverão ser aprimoradas estratégias tanto
por parte do governo como dos parceiros para se ultrapassarem os desafios
enumerados, assim como outros, como por exemplo: horas extras e exiguidade
financeira.
Lourenço
Bulha referiu que o governo provincial tem consciência das dificuldades
enfrentadas pelo sector de educação, com destaque para a exiguidade orçamental,
mas entende que o facto não deve interferir na planificação.
“De nada
adianta alcançar 100 por cento das taxas de matrículas previstas em todos os
níveis de ensino, se as crianças terminam o ensino secundário com dificuldades
de leitura e escrita”, lamentou Bulha.
O
governador pediu depois que o sector da educação coloque como prioridade a
formação contínua dos professores. “Um professor bem preparado transforma vidas
e transforma a sociedade”.
O
governador pediu, por outro lado, uma supervisão pedagógica efectiva. “As horas
extraordinárias devem ser pagas só quando for estritamente necessário e
devidamente planificadas. Os nossos orçamentos podem ser exíguos, mas a nossa
criatividade e compromisso não podem ser. Gerir bem o tempo do professor é
sinónimo de respeito”, afirmou o governador de Sofala.
O foco no
sector da educação, segundo o governador de Sofala, continua a ser a expansão
do ensino para garantir que todas as crianças tenham acesso a escolas
condignas.
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